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O que significa EV, PHEV, MHEV E HEV?
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O que significa EV, PHEV, MHEV E HEV?

10 de abril de 2026

JOÃO GAUVAIN | AUTOMODIVAS

Em 2012, a Tesla deu o pontapé inicial em uma nova era do mundo automotivo ao apresentar o Model S, o primeiro elétrico com autonomia adequada à realidade e necessidade dos consumidores. Pulando para hoje, em 2026, carros eletrificados estão em todos os cantos, presentes nas garagens de milhares de brasileiros e de consumidores mundo afora. 

O lançamento despontou como uma revolução, tornando o foco das montadoras às possibilidades que a eletrificação traria. Junto a isso, no fim dos anos 2010 surgiram múltiplos planos de diferentes nações para banir a circulação e produção de veículos a combustão, o que impulsionou mais ainda o desenvolvimento de híbridos e elétricos por praticamente todas as montadoras. Em grande parte esses planos foram abandonados, devido à alta expectativa que se criou no mercado de carros elétricos e à aceitação dos consumidores  (que foi bem abaixo do que as montadoras esperavam).

Isso quer dizer que a aceitação foi baixa em geral? Não, de forma alguma. A expectativa é que foi alta demais.

Possuir um carro elétrico demanda adaptação, se comparado aos tradicionais carros a combustão. As visitas aos postos de gasolina deixam de ser parte da rotina se você escolher um modelo 100% elétrico. O revés é a necessidade de maior planejamento em caso de viagens longas, pois se você não programar para recarregar antes que a autonomia fique baixa demais, a chance de precisar chamar o guincho para te levar ao próximo ponto de recarga é real! Ah, e quando chegar nele, esteja com vontade de tomar um café ou fazer um lanche, pois o tempo de recarga até 80% varia entre 15 a 60 minutos – isso se o modelo suportar recarga rápida! Sem contar que demanda estrutura. Ter um elétrico sem um ponto de recarga em casa é um desafio para muitos, o que contribui para uma menor aceitação frente à expectativa das montadoras que mencionamos anteriormente.

 Se você optar por um híbrido, no mínimo suas visitas às bombas de combustível serão reduzidas em um terço da sua frequência usual. Mas pode ficar tranquila quanto ao medo de não chegar ao seu destino, pois você terá o melhor dos dois mundos! Vale apontar que os eletrificados (sejam híbridos ou totalmente elétricos) quase sempre levam vantagem em consumo na cidade! 

Mas por que isso acontece? E será que todos os híbridos te oferecerão essa vantagem? Você já ouviu falar em Híbrido Plug-In, Híbrido Leve, mas não faz ideia do que significa isso ou qual é o melhor pra você? Pois fique tranquila, vou esclarecer tudo agora mesmo! 

TIPOS DE ELETRIFICADOS

Vou começar esclarecendo o que é essa sopa de letrinhas que você vê por aí, o que são os chamados EV, PHEV, MHEV e HEV. 

Fonte: GWM Media Center

  • EV: Esse é o mais fácil de explicar, EV nada mais é do que a sigla para “Electric Vehicle”. Os EVs são os verdadeiros elétricos, veículos movidos puramente à bateria, com eles suas visitas ao posto de gasolina estarão no passado, a não ser que você vá lá pra tomar um café e recarregar em algum ponto presente num posto. Recentemente surgiram outros nomes para o EV, como BEV (Battery Electric Vehicle) ou um outro que já vamos explicar, o REEV, como o Leapmotor C10. Calma, você já vai entender o por que de explicar separadamente. 

Fonte: Lexus Newsroom

  • HEV: Os veículos HEV, ou “Hybrid Electric Vehicle” são a forma pura dos carros híbridos. Funcionam da mesma forma que um carro a combustão comum no seu dia a dia, mas possuem uma bateria de menor capacidade (se comparados aos PHEV), chegando a até 8kwh. Em modelos populares como o Haval H6 HEV, a bateria é de 1,6kwh, por exemplo. E é aqui que reside a diferença, os híbridos “tradicionais” se beneficiam dessas pequenas baterias para gerar maior autonomia. Enquanto rodam, utilizam o motor elétrico majoritariamente para dar suporte ao motor à combustão, que em troca auxilia o motor elétrico a regenerar energia conforme você anda. Então, aqui não vai acontecer de você ficar sem bateria e ter que plugar pra carregar – por isso digo que funcionam tal qual um carro a combustão comum, é só abastecer e ser feliz! 

Há modelos em específico que utilizam o motor a combustão majoritariamente para recarregar as baterias, como no caso dos novos Honda Civic Hybrid e CR-V Hybrid. Neles, o motor a combustão traciona as rodas apenas em velocidades acima de 80km/h, ou se você quiser acelerar tudo. Caso contrário, o motor elétrico é quem propulsiona o carro, enquanto o motor a combustão alimenta as baterias, possibilitando consumos acima de 20km/l na cidade! 

Fonte: Kia

  • MHEV: Os MHEV ou, “Mild Hybrid Electric Vehicle”, popularmente conhecidos como os Híbridos Leves, são veículos equipados com baterias bem pequenas, com capacidade abaixo de 1kwh, normalmente 12V ou 48V, que não chegam a tracionar as rodas.  Sua função é basicamente de alimentar os sistemas elétricos do carro, o que gera sim algum ganho em economia de combustível, mas bem menos significativo do que outros tipos de híbridos. Isso ocorre porque carros puramente a combustão usam uma pequena parcela da queima de combustível para girar o alternador, que alimenta a bateria comum que todo carro tem. O ganho que se tem com isso? Cerca de 10% a 15%, a depender do modelo, então como falei, pequeno – mas muito bem vindo! 

Fonte: Volvo Newsroom

  • PHEV: Aqui a coisa complica um pouco, e esse segmento ainda tem direito a Spin-Offs! Os PHEV, ou “Plug-In Hybrid Electric Vehicle” são a combinação perfeita entre o carro totalmente elétrico e o carro puramente a combustão. Eles possuem baterias maiores (de 15kwh a 35kwh), que costumam oferecer autonomia em modo puramente elétrico de 50km a mais de 100km. A diferença é que, por terem baterias maiores, demandam que sejam recarregados de vez em quando, como os modelos puramente elétricos. Esse tipo de eletrificação oferece dois benefícios aos modelos, o ganho de autonomia e o ganho de performance! Tudo depende do objetivo da montadora para cada modelo, temos carros como os Volvos XC60 e XC90 que usufruem do ganho de performance, mas que são voltados para a eficiência, e temos modelos como a nova BMW M5, que tem sua hibridização voltada ao ganho de potência. Propostas completamente diferentes com uma solução em comum! 

Há, porém, sacrifícios que esses modelos fazem. Primeiro, as baterias maiores ocupam espaço e, como o motor a combustão continua fazendo parte do trem de força, elas comumente tomam um bom espaço de porta-malas, podendo reduzir a capacidade em até 200L se comparado ao mesmo modelo sem ser híbrido. Segundo, esses modelos costumam ser mais pesados, o que naturalmente gera maior desgaste de pneus, ainda mais se acompanhado de blindagem.  E por último, como mencionei, você vai precisar carregar de vez em quando e se não o fizer, vai sofrer com falta de potência na ausência do motor elétrico. 

“Ta, mas e esses tais Spin-Offs? “

Fonte: Media Stellantis

Acontece que surgiram variações do PHEV com nomes diferentes, e funcionamentos diferentes. O mais atual deles é o REEV, que vemos no Leapmotor C10. REEV quer dizer “Range Extended Electric Vehicle”. Como o nome sugere, seria um 100% elétrico com alcance estendido, mas sinceramente tendo o motor a combustão, mesmo que ele nunca tracione as rodas, vai ser considerado pela maioria como sendo um híbrido – e inclusive a Leapmotor o anuncia como um “Ultra Híbrido”. E é exatamente nisso que consiste o REEV, um híbrido (ou elétrico, como você preferir chamar) onde há um motor a combustão que serve apenas para recarregar as baterias. E estas sim irão tracionar as rodas em tempo integral através dos motores elétricos. 

A vantagem dessa lógica é que a autonomia realmente é maior do que um híbrido comum e do que a de um EV, além disso você ganha a potência e torque instantâneos presentes também nos EV, o que te dá mais agilidade no trânsito e em ultrapassagens. 

Além do REEV, existem PHEVs como o Denza B5 e BYD Shark onde o motor a combustão até consegue tracionar as rodas, mas seu papel principal é de alimentar as baterias, o que reduz a necessidade de recargas. Esse funcionamento é semelhante ao que vemos no atual Honda Civic que mencionamos anteriormente, com a diferença de que aqui eles são Plug-In e precisam ser carregados na tomada de vez em quando.

QUAL O MELHOR PARA VOCÊ?

Beleza, agora você conhece os tipos de eletrificados que vai encontrar no mercado, mas então qual deles é o melhor para você? Isso vai depender muito de alguns fatores: Qual a estrutura que você tem? Mora em uma casa e consegue instalar um carregador? Se mora em um prédio, tem carregadores nele? E se não tiver nem carregador próprio, nem no prédio, no seu dia a dia você passa por algum lugar onde exista um ponto de recarga, como um shopping ou um mercado? Ou até mesmo, será que não tem acesso a carregadores na garagem ou estacionamento do seu trabalho? 

Caso sua resposta para todas as perguntas acima seja não, seu modelo ideal será o HEV ou o MHEV. Afinal, ter um desses não exige adaptação à rotina de quem já está acostumado com um modelo a combustão, uma vez que nunca precisarão ser recarregados. A economia de combustível dessas opções será, em geral, menor se comparada à dos PHEV ou EV, mas é bem generosa em relação aos modelos puramente a combustão.

E assim… Mesmo que você não tenha essa estrutura, nada te impede de ter um PHEV ou EV, desde que você tenha em mente que terá que desviar da sua rota diária e passar a frequentar locais onde consiga recarregar. O que pode ser aquele momento no seu dia que você se “mima” com um cafézinho ou uma sessão de cinema, como um momento para chamar de seu! 

Agora, se você tem a estrutura, precisa avaliar quantos km você costuma andar em um dia. Em São Paulo, é muito comum que as pessoas morem no interior e trabalhem na capital, ainda mais com o advento do home office. Vamos pensar num dia que vá presencial, seu trajeto de ida e volta é menor do que a autonomia do EV que você está pensando em comprar? 

Minha dica é sempre colocar uma margem de segurança ao responder essa pergunta, afinal é comum que se aproveite uma ida à capital para resolver múltiplos assuntos, o que faz seu trajeto de ida e volta aumentar, né? Então se você mora em Campinas e seu escritório fica, por exemplo, no Morumbi, seu trajeto ida e volta já chega aos 200km. Daí vamos supor que você aproveitou a ida à capital e resolveu ir a um restaurante e fazer umas compras, rodando 20km dentro da cidade. Seu trajeto de 220km já elimina candidatos como o Mini Cooper SE, Fiat 500e e Peugeot E-2008 que possuem autonomias abaixo dos 280km, segundo o Inmetro. 

“Ah, mas o meu trajeto é de 220km, se a autonomia for maior do que isso eu estou segura!” 

Aí é que está, assim como acontece com carros a combustão, onde o Inmetro divulga que um modelo X faz 10km/l na cidade e na prática ele faz 8km/l, pode acontecer com os modelos elétricos! Os números divulgados pelo Inmetro comumente diferem da realidade porque as condições de teste e de aplicação real mudam! Às vezes você mora em um lugar cheio de ladeiras, ou próximo à rodovias, então os números de consumo que você consegue podem ser menores, ou até mesmo maiores que os divulgados oficialmente.

 Como mencionei antes, os elétricos costumam levar a vantagem na cidade devido ao anda e para, que favorece a regeneração de energia a cada frenagem que você realizar. Mas, nas rodovias, o consumo dos carros elétricos costuma ser bem maior, afetando negativamente a autonomia que eles podem te entregar. Além disso, não existe diferença entre EVs e carros a combustão no quanto o seu estilo de direção pode reduzir a autonomia. Se seu pé for pesado, você vai ter um alcance menor! 

Portanto, mesmo que se tenha toda a estrutura, há a necessidade de se avaliar o trajeto e o uso que você faria de um carro totalmente elétrico! Se você mora longe da capital e pretende rodar longas distâncias, prefira os PHEV! Com eles você não precisa ter medo de ficar parada no meio do caminho, afinal se a bateria acabar, você pode contar com o motor a combustão para chegar em casa, mesmo que seja com menos potência.

PONTOS DE ATENÇÃO

Os avanços em tecnologias e produção de baterias já chegaram a um patamar que torna a tecnologia um pouco mais acessível, e muito mais confiável. No geral, a manutenção de 100% elétricos é mais simples que a de carros a combustão por ter menos partes móveis (bem menos). 

Nos híbridos a complexidade acaba sendo maior, mas o conhecimento sobre as plataformas está se tornando mais amplo, o que ajuda a tornar questões mecânicas mais fáceis. O ponto crítico é se houver a necessidade de troca da bateria, aí sim a conta será salgada. 

Sobre a recarga, mencionei lá no começo o tempo de recarga de 15 a 60 minutos até os 80% em modelos com recarga rápida. É importante saber que não são todos os modelos que suportam esse tipo de recarga. No Brasil o tipo de plug mais utilizado é o Tipo 2 para recarga convencional (AC), e o CCS2 para recarga rápida (DC). Em modelos que suportam apenas a recarga convencional, você vai ver apenas uma entrada redonda no bocal de recarga. Agora, se abaixo da entrada redonda, houver uma entrada retangular com pontas arredondadas, isso quer dizer que o modelo suporta a recarga rápida!

Existem outros tipos de plug em modelos elétricos mundo afora, alguns deles até vieram pro Brasil, mas via de regra os Tipo 2 e CCS2 foram adotados como o padrão de mercado. Mas, se quiser conhecer os outros que existem, é só dar uma olhada aqui! 

Os modelos com o Tipo 2 naturalmente terão tempos de recarga bem maiores que os equipados com o CCS2, sendo os 15 a 60 minutos até os 80% da recarga rápida elevados a até 10 horas num carregador wallbox, por exemplo. As vantagens da recarga convencional são majoritariamente a preservação da bateria e menor custo. A lógica funciona tal qual um carregador de celular, carregadores rápidos aquecem bastante a bateria e causam degradação mais acelerada, enquanto um carregador menos potente demora mais, mas ajuda a conservar a vida útil da bateria. 

Agora você está pronta para analisar suas opções de compra no mercado de eletrificados! E não se esqueça, teremos avaliações de vários modelos por aqui! Tenha a certeza de que se precisar da nossa ajuda para escolher, você vai encontrar o que precisa aqui no Automodivas!